


Na vida, as pessoas passam.
Mas algumas ficam para sempre na memória.
Essas são amigas, e enchem o coração,
porque ouviram, confiaram, e amaram.


Sê tu mesmo
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José Azevedo Pereira é amigo de Paulo Macedo |
José Azevedo Pereira, o nome que o Governo escolheu para assumir a pasta de Director-Geral dos Impostos (DGCI) tem um percurso profissional predominantemente ligado à academia e aos mercados financeiros, mas sem ligações directas ao universo da fiscalidade e à administração pública.
Ribatejano, nasceu em Santarém em 1961, tendo aí completado o ensino básico e secundário. Em 1979 desce a Lisboa, para ingressar no curso de gestão do ISEG/UTL, a escola onde mais tarde viria a desenvolver a actividade profissional principal, a docência. É também nos corredores do ISEG que, entre 1979 e 1984 se cruza pela primeira vez com Paulo Macedo. O mediático ex-director-geral dos impostos era um ou dois anos mais novo, mas quem por lá andou na mesma altura, garante que foi aí que se cimentaram laços que perduram até hoje.
O bom desempenho escolar durante a licenciatura facilita-lhe o ingresso directo na vida académica: José Azevedo Pereira começou por ser assistente estagiário na Universidade dos Açores, um ano depois na Universidade Nova de Lisboa e, finalmente, no ISEG.
Foi ao estrangeiro – Manchester, Inglaterra – fazer o doutoramento, com uma tese sobre instrumentos de dívida e opções. No reingresso na vida lectiva volta a cruzar-se com Paulo Macedo. José Azevedo Pereira enquanto professor dos quadros do Departamento de Gestão, Paulo Macedo enquanto professor convidado.
Consultoria, finanças, mas pouca fiscalidade
Sem ligações directas ao universo da fiscalidade nem à administração pública - lecciona finanças empresarias e matemáticas financeiras e desenvolve investigação na área das finanças imobiliárias - conta, contudo, com algumas experiências empresariais: além de consultor, foi director financeiro de uma empresa importadora e administrador da EPAC, uma empresa pública da área da Agroalimentação e Cereais que foi dissolvida no final de 1999.
Mais recentemente, dirigiu, por encomenda de Paulo Macedo, uma auditoria às dívidas fiscais titularizadas durante o mandato de Manuela Ferreira Leite.
Uma herança pesada
A partir de dia 27, Azevedo Pereira receberá do colega de carteira e de Departamento uma herança difícil de gerir. Paulo Macedo deixou a máquina fiscal mais ágil e moderna, o que facilitaria a vida de qualquer sucessor, mas imprimiu-lhe uma marca pessoal muito forte. Por isso, diz-se no meio da fiscalidade, onde José Azevedo Pereira se estreia na próxima semana, que se conseguir fazer um bom trabalho, os méritos tenderão a ser atribuídos ao seu antecessor; se falhar, dará azo a manifestações saudosistas.
Continua a confusão no PSD, com uma reacção dura a surgir por parte de Luís Filipe Menezes, que contesta a decisão do Conselho de Jurisdição em afastar mais de mil militantes por inscrição em massa, para além de permitir aos militantes açorianos o pagamento de quotas até sexta-feira.
Na opinião do candidato à presidência do partido a última decisão tem de ser tomada pela presidente do congresso, ou seja, Manuela Ferreira Leite. Pelo meio, a declaração de Menezes foi recheada de ataques a Marques Mendes, que acusou estar a boicotar os seus apoiantes.
«O meu adversário demonstrou que não tem estatura política e sobretudo ética para liderar o PSD», começou por referir, indo um pouco mais longe: «Nos últimos meses comportou-se como um pequeno tirano». Falando em «acções dignas do Estado Novo» e na retirada de «três mil militantes» dos cadernos «por cometerem o crime» de serem seus apoiantes.
No entendimento de Menezes, o único órgão competente para julgar a situação actual é o Conselho Nacional, mas como isso não é possível em tempo útil, vai «aguardar até amanhã às 24h para que a presidente do congresso reponha a legalidade no funcionamento do partido».
Entretanto, vai dizendo que a solução será «a reposição integral de todos os cadernos eleitorais» do partido ou a permissão de «pagamento de quotas não só para os Açores, mas também para os militantes do continente e da Região Autónoma da Madeira».
Quase em simultâneo, Guilherme Silva também prestou uma declaração, nome do Conselho de Jurisdição, para reafirmar as conclusões retiradas da reunião de ontem. Aproveitou para lembrar que o Conselho é «o único órgão do partido independente, que não decidi politicamente».